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sisifo: Vídeo

Sísifo e a cultura digital

“Os deuses tinham condenado Sísifo a rolar um rochedo incessantemente até o cimo de uma montanha, de onde a pedra caía de novo por seu próprio peso. Eles tinham pensado, com as suas razões, que não existe punição mais terrível do que o trabalho inútil e sem esperança.

(...)

É durante esse retorno, essa pausa, que Sísifo me interessa. Um rosto que pena, assim tão perto das pedras, é já ele próprio pedra! Vejo esse homem redescer, com o passo pesado mas igual, para o tormento cujo fim não conhecerá. Essa hora que é como uma respiração e que ressurge tão certamente quanto sua infelicidade, essa hora é aquela da consciência. A cada um desses momentos, em que ele deixa os cimos e se afunda pouco a pouco no covil dos deuses, ele é superior ao seu destino.

É mais forte que seu rochedo. Se esse mito é trágico, é que seu herói é consciente.” (Trecho de O Mito de Sísifo de Albert Camus)


Em uma montanha de entulhos e objetos digitais, de infinitas conexões e hipertextos, nosso Sísifo carrega o rochedo da tecnologia. Diferente do herói relatado por Camus como consciente, o nosso ainda parece muito distante dessa consciência e sabedoria no mundo digital: “Sabedoria seria produzir formas de adaptabilidade da vida às diversidades ou conhecimento muito particular. Sabedoria é a capacidade de articular conhecimentos de forma não linear ou especialista. A atual cultura digital produz muitos dados, alguma informação ou conhecimento muito particular. Sabedoria é a capacidade de articular conhecimentos de forma não linear ou especialista. A atual cultura digital produz muitos dados, alguma informação, pouco conhecimento e raros momentos de sabedoria. E pelo andar da carruagem ainda estamos muito longe de conseguir chegar no topo dessa pirâmide” (Trecho do livro “A Tecnologia é um vírus” de André Lemos).

Corpos atravessades por fios: uma rede que se tensiona entre a possibilidade de novas cosmologias, de uma nova sintaxe, de uma explosão de novos centros possíveis e maneiras diversas de se relacionar, enquanto

simultaneamente, mesma rede atua como uma força aglutinadora, reificadora e de homogeneização. Plasticidade & território, somos peixes circulando num rizoma que pode vir a nos reinventar, ou nos prender, a medida em que convivemos com as tecnologias do futuro e as mesmos mitos que nos assombram há milênios.

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